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terça-feira, 22 de setembro de 2026

A Gente Vai Continuar

 

                                              Foto: Google


A Gente Vai Continuar

Tira a mão do queixo não penses mais nisso

O que lá vai já deu o que tinha a dar

Quem ganhou ganhou e usou-se disso

Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar

E enquanto alguns fazem figura

Outros sucumbem á batota

Chega a onde tu quiseres

Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar

A gente vai continuar

Enquanto houver estrada pra andar

Enquanto houver ventos e mar

A gente não vai parar

Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos

O sistema é antigo e não poupa ninguém

Somos todos escravos do que precisamos

Reduz as necessidades se queres passar bem

Que a dependência é uma besta

Que dá cabo do desejo

A liberdade é uma maluca

Que sabe quanto vale um beijo

 

Composição: Jorge Palma


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ser amado pelos outros é um capricho, seres amado por ti é um milagre


                                              Foto: Google


Passamos tempo demais a tentar ser amados pelos outros.

Passamos o dia a pentear a alma e a alinhar as palavras.

A vestir a máscara mais simpática que conseguimos encontrar.

Para de tentar, ama-te.

Ser amado pelos outros é um capricho,

seres amado por ti é um milagre.

Quando te livras da necessidade de ser amado, és livre.

 

Pedro Chagas Freitas – Benjamim e os dias cheios de nada


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Minha alma tem o peso da luz

 

 

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Minha alma tem o peso da luz

Tem o peso da música

Tem o peso da palavra nunca dita,

 Tem o peso de uma lembrança

Tem o peso de uma saudade

Tem o peso de um olhar

Pesa como pesa uma ausência

E a lágrima que não se chorou

Tem o imaterial peso de uma solidão no meio de outros.

 

Clarice Lispector


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Viciamo-nos no que parecemos ser

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Viciamo-nos no que parecemos ser e depois o que somos fica pousado, ganha pó.

Ninguém sabe quem é.

“Andei a vida toda a aprender a esconder o que sinto”

 

Pedro Chagas Freitas- É urgente amar

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Leva-se 2 anos para aprender a falar e 60 para aprender a ficar em silêncio


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Leva-se 2 anos para aprender a falar e 60 para aprender a ficar em silêncio

 

Lição sobre maturidade, silêncio e sabedoria ao escolher as palavras.

Falar é uma conquista da infância, mas calar na hora certa exige maturidade, domínio próprio e uma perceção mais profunda da vida.

Quando o silêncio vale mais do que uma resposta?

O silêncio vale mais do que uma resposta quando a palavra nasce da raiva, da vaidade ou do desejo de provar superioridade. Em momentos assim, falar pode parecer coragem, mas muitas vezes revela apenas falta de controle.

Quem aprende a esperar antes de responder descobre que nem toda a provocação merece espaço.

Às vezes, a paz começa quando a resposta fica guardada.

A frase de Ernest Hemingway “Leva-se 2 anos para aprender a falar e 60 para aprender a ficar em silêncio”, lembra que a verdadeira inteligência não está em falar muito, mas em  saber quando a palavra deve nascer.

Aprender a ficar em silêncio não é perder a voz, é ganhar discernimento. Depois de muitos anos, a sabedoria talvez esteja exatamente nisso: falar com clareza quando necessário e calar com dignidade quando a paz valer mais do que a última palavra.

 

Larissa Hisashi

sexta-feira, 24 de abril de 2026

A liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta

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Liberdade

A liberdade é uma palavra

que o sonho humano alimenta:

não há ninguém que a não diga

nem quem a não sinta.

 

É como o sol que nos acorda

e nos beija a cada dia:

não há ninguém que o não veja

nem quem o não queria.

 

É como o mar que nos embala

e nos leva para longe:

não há ninguém que o não ouça

nem quem não o ponha onde

a sua sede mais aperta e a sua angústia mais se alonga:

a liberdade é uma palavra que a esperança prolonga.

 

Natália Correia

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Olhamos à nossa volta e sentimos que verdadeiramente a primavera desencadeou um movimento

 

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Olhamos à nossa volta e sentimos que verdadeiramente a primavera desencadeou um movimento: as árvores voltaram a germinar após a nudez do inverno; ao longo dos caminhos vemos flores amarelas, brancas e de todas as cores; damo-nos conta de que a temperatura é outra; a natureza prepara-se para uma estação diferente.

Ora, toda esta preparação não pode ser só exterior a nós, não pode ser apenas um desejo que atravessa a paisagem. Também a nossa vida precisa de primavera; também nós necessitamos de voltar a acender o fogo debaixo das cinzas; também nós precisamos de uma revitalização interna e de um florescimento.

O oceano gelado do nosso coração anseia por um degelo, e a terra desolada da nossa alma geme na expetativa de reverdejar. Não podemos permitir que o inverno se prolongue dentro de nós, e devemos estar conscientes disto: se nos deixamos simplesmente arrastar, se nos mantemos numa tépida e incapacitante indecisão, pode até acontecer que a primavera nunca chegue.

Cardeal D. José Tolentino Mendonça