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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Olhamos à nossa volta e sentimos que verdadeiramente a primavera desencadeou um movimento

 

                                               Foto: Google


Olhamos à nossa volta e sentimos que verdadeiramente a primavera desencadeou um movimento: as árvores voltaram a germinar após a nudez do inverno; ao longo dos caminhos vemos flores amarelas, brancas e de todas as cores; damo-nos conta de que a temperatura é outra; a natureza prepara-se para uma estação diferente.

Ora, toda esta preparação não pode ser só exterior a nós, não pode ser apenas um desejo que atravessa a paisagem. Também a nossa vida precisa de primavera; também nós necessitamos de voltar a acender o fogo debaixo das cinzas; também nós precisamos de uma revitalização interna e de um florescimento.

O oceano gelado do nosso coração anseia por um degelo, e a terra desolada da nossa alma geme na expetativa de reverdejar. Não podemos permitir que o inverno se prolongue dentro de nós, e devemos estar conscientes disto: se nos deixamos simplesmente arrastar, se nos mantemos numa tépida e incapacitante indecisão, pode até acontecer que a primavera nunca chegue.

Cardeal D. José Tolentino Mendonça


segunda-feira, 2 de março de 2026

Março voltou


                                               Foto: Google



Março voltou, esta
ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar de vidro vai direito ao coração.
Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos

com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.
Já sabeis como temos ainda restos
de pudor.

e pelo mundo
uma enorme, enorme indiferença

 

Eugénio de Andrade



sábado, 14 de fevereiro de 2026

É tempo de uma nova visão da Humanidade


 

É tempo de uma nova visão da Humanidade

 

Há um mito persistente de que os seres humanos, pela sua própria natureza, são egoístas, agressivos e depressa entram em pânico. É aquilo a que o biólogo holandês Frans de Waal gosta de chamar a teoria do verniz: a civilização não passa de uma fina camada que estala à menor provocação.

Ora, a verdade é o oposto. Numa crise - quando caem bombas ou sobem as águas durante uma inundação -, nós humanos, tornamo-nos na melhor versão de nós mesmos.

 

As catástrofes despertam o melhor que há nas pessoas.

 

É tempo de um novo realismo. É tempo de uma nova visão da humanidade.

 

RUTGER BREGMAN – Humanidade- Uma História de Esperança

 


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Viver é uma travessia num corredor de portas fechadas


                                                Foto: Google


Viver é uma travessia num corredor de portas fechadas.

Passamos o tempo todo a tentar espreitar pela fechadura. Não interessa o que encontramos ao abrir a porta; interessa termos o arrojo de a abrir.

A esperança e o impossível caminham juntos.

 

Pedro Chagas Freitas – Hospital de Alfaces


domingo, 21 de dezembro de 2025

Sentemo-nos à soleira do instante, porque é Natal


                                               Foto: Google


Sentemo-nos à soleira do instante, porque é Natal.

 

O Natal não é apenas a festa do brilho e da abundância.

Não é apenas a ronda das vozes felizes.

Toca-se também na escassez e no desabrigo. Na solidão e na margem. Na força nua das direções e das perguntas sem resposta.

 

José Tolentino Mendonça


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Uma pessoa é como uma cidade

 

                                                 Foto: Google


Uma pessoa é como uma cidade. Não podemos deixar que as partes menos boas impeçam de gostar do todo. Pode haver detalhes de que não gostemos, ruas ou bairros mais manhosos, mas as partes boas compensam tudo o resto.

Enquanto estivermos vivos, existirá sempre em nós um futuro de possibilidades múltiplas e diversas.  Por isso vamos ser bondosos para as pessoas que povoam a nossa existência.

 

A biblioteca da meia noite – MATT  HAIG – Edição Pinguim


segunda-feira, 24 de novembro de 2025