Sitemeter

domingo, 11 de novembro de 2018

meto-me para dentro



Meto-me para dentro, e fecho a janela. 
Trazem o candeeiro e dão as boas noites, 
E a minha voz contente dá as boas noites. 
Oxalá a minha vida seja sempre isto: 
O dia cheio de sol, ou suave de chuva, 
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo, 
A tarde suave e os ranchos que passam 
Fitados com interesse da janela, 
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores, 
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso, 
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir, 
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito. 
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme. 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLIX" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O que faz andar a estrada?

                                         Foto: google

O que faz andar a estrada? É o sonho.
Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva.
É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem
parentes do futuro.

(Fala de Tuahir)

Mia Couto
"in terra sonâmbula"

domingo, 22 de abril de 2018

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O mundo é um sonho e os tesouros uma paisagem


                                                 Foto: Google

“O mundo é um sonho e os tesouros uma paisagem, as coisas não  têm realidade. São como uma neblina quente“

Buda

domingo, 20 de agosto de 2017

Paira no tempo, como o pó suspenso


                                         Foto: Google

Nem tudo é lei da vida ou lei da morte.
Há limbos onde o homem desconhece
Essa dimensão hostil.
É quando ama, ou sonha, ou faz poemas,
E a própria natureza o não domina.
Então, livre e perfeito,
Paira no tempo como o pó suspenso.
Nem céu, nem terra, nem sujeito
Ao pesadelo de nenhum consenso.


Miguel Torga in “Diário VII”

domingo, 25 de junho de 2017

Sê paciente, espera que a palavra amadureça


                                         Foto: Google



Conselho



Sê paciente; espera 
que a palavra amadureça 
e se desprenda como um fruto 
ao passar o vento que a mereça.


Eugénio de Andrade